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Final TOP16 ND6 – Vídeo

23 de April de 2011

A final do TOP16 da primeira etapa de 2011 certamente foi a mais polêmica de todas já realizadas. A premiação em dinheiro oferecida pelo autódromo tem tornado a competição mais empolgante a cada etapa.

Desde o início da noite, dois carros estavam se destacando – o Chevette vermelho AP turbo de Daniel Machado, que em sua primeira participação em uma ND já conseguiu ser o  mais rápido da fase classificatória – e o Fusca prata, também AP turbo, de Bráulio Rocha.

Bráulio compete desde a ND1 e vem aprimorando seu Fusca a cada etapa.

Mas não foi fácil o caminho de cada piloto para chegar até a final.

Daniel Machado teve de passar pelo vencedor da ND4/5, Rafael Andreis da equipe GSX, que cravou o tempo de 7,4s nos 201m na disputa, contra 7,5s do Chevette. Porém a reação de Daniel foi melhor, e isto lhe garantiu a vitória, chegando antes aos 201m.

Depois de vencer a equipe GSX, Daniel teve de enfrentar o professor Sérgio Fontes e o inabalável Gol 96 da equipe Maranello, vencedores de três TOP16.

Com confiança Daniel arrancou forte e não deu chance ao azar, garantindo o lugar do Chevette na final.

Para Bráulio, as coisas estavam tão complicadas quanto para Daniel: primeiro tem de enfrentar o Fusca de Leonardo Flores (Passarinho), vencendo a disputa com tempo na casa dos 8,5s.

Depois veio o campeão de 2010, Alexandre Kroeff e seu Maverick V8, que vinha apresentando tempos mais baixos que os do Fusca durante toda noite.

Mas Bráulio não hesitou, e mesmo sem a escolha de pista, demonstrou o melhor desempenho do conjunto até o momento, vencendo a disputa com 8,046s.

A final foi muito disputada. Desde a hora do rolo, onde cada piloto tentava deixar o pneu e o espírito no ponto certo até a linha de chegada.

Ambos os carros contavam com pneus Hoosier Drag.

No verde o Fusca pula na frente, acelerando de lado e Bráulio não recua, segue assim até colocar a segunda e alinhar o Fusca na reta.

O Chevette, atrás, começa a encostar depois dos 100m, e os dois somem no final da reta, que pelo seu tradicional relevo não permite ao público apontar um vencedor de forma certeira.

Visualmente foi impossível de apontar um vencedor, então todos correm para a cronometragem…pela primeira vez em seis edições, este equipamento falhou na hora “H”.

Segundo Jaime Kopp, da Produpark, não foi uma falha do equipamento em si, e sim um cabo desconectado. Este cabo comunicava os resultados da última fotocélula.

No retorno da reta, ambos os pilotos acreditaram que venceram a disputa, o que não trouxe outra alternativa a não ser dividir a premiação.

Pela primeira e última vez em um TOP16, a vitória foi para os dois pilotos, que com certeza deram um grande espetáculo para o público presente na reta de Tarumã depois das cinco da manhã.

Parabéns Bráulio e parabéns Daniel, os dois vão levar para casa o troféu bielinha, esculpido em cnc a partir de uma barra de alumínio, pela Smartech.

A AD entende que para os competidores e público, esta foi uma grande falha da organização, pois o mais importante na noite era apontar o vencedor da final. Na próxima etapa convocaremos um fiscal de pista, para ficar na linha dos 201m com uma camêra de vídeo, caso a cronometragem não consiga apontar um vencedor. Um sistema redundante que uma competição forte como esta necessita.

Porém, a equipe da Associação Desafio gravou um vídeo da final, de cima da ponte. O vídeo está abaixo, para todos que quiserem ver e tirar suas próprias conclusões:

Vídeos: Adriana Sugimoto

Fotos: Dudu Leal

O CAMPEÃO DO ANO

10 de January de 2011

O ano de 2010 foi surpreendente para a Associação Desafio. Começou difícil com as indecisões do Velopark e deslanchou em Tarumã, transformando-se no maior campeonato da AD em número de participantes e também no mais disputado. Provavelmente o mais difícil até este momento.

Foi este cenário que viu, aos poucos, emergir um novo campeão. Alexandre Kroeff e seu Maverick branco escreveram uma nova página na história da AD ao ser o primeiro carro não turbo a vencer o campeonato. A previsão de que isso pudesse acontecer sempre foi considerada como uma questão de tempo, pois os carros v8 com sua confiabilidade e potência sempre foram adversários fortes em potencial. Mas os anos iam passando e, ao final, a realidade sempre mostrava um carro turbo revelando grande eficiência.

Campeão de 2007 e 2009, Sérgio Fontes (Gol Turbo) e campeão de 2008, Felipe Hill (Puma GTB Turbo)

Em 2010 a história tomou um novo rumo. Com o campeonato indo para Tarumã, muita coisa mudou. A primeira e de maior influência foi a metragem da pista, que passou para 201 m. A segunda, não menos importante, foi a necessidade de uma pilotagem eficiente para fazer frente às dificuldades apresentadas por uma pista que é levemente em subida e com um asfalto que no início tinha pouca aderência. Desde o princìpio, Alexandre mostrou que era um dos mais aptos para interpretar a maneira como a pista tinha de ser encarada.

Conversando no box, ele dizia que estava tendo todo um aprendizado novamente, pois não era mais possível fazer como no Velopark que era “espetar o pé e sentir o carro pular pra frente”. Em Tarumã, a missão era outra: fazer o carro “deslizar” para frente com suavidade e força ao mesmo tempo. Essa leitura fez com que o Maverick melhorasse suas marcas a cada etapa e fosse subindo cada vez mais no confronto com seus oponentes. Em mais de uma vez o carro teve praticamente o mesmo tempo de pista que seus adversários diretos, mas vitórias, pontos e tempos melhores vieram justamente pela eficiência da dupla Maverick/Kroeff na pista.

O público respondeu, transformando o Maverick em um de seus carros preferidos. A cada burnout do V8, respondia com uma algazarra na arquibancada. Bonito de se ver. A temporada foi caminhando e Alexandre colocou o carro em todos os TOP16, foi o melhor v8 do ano em desempenho e resultados, sendo o mais rápido de todos os que passaram por Tarumã. Ainda não foi em 2010 que venceria seu TOP 16, mas esteve muito perto disso. Seus torcedores mais assíduos, como o Igor da Smarttech, tinham convicção que em pelo menos duas etapas o Maverick esteve com a vitória no Top na mão. Mas não foi bem assim.

Em compensação, o bom trabalho dentro e fora da pista ia rendendo dividendos (pontos). Mesmo quando na terceira etapa Alexandre “queimou” uma largada válida em uma disputa com o Eclipse dos Irmãos Andreis, ele não ficou fora da briga. Kroeff erra pouco e não lhe faltou determinação para tentar vencer seus adversários diretos. O Eclipse era um deles. Assim, cada oportunidade não deve ser desperdiçada… Sua melhor opção para derrotar o Eclipse na pista era fazer uma grande largada, e isso Alexandre tentou, mas não foi bem sucedido. Foi um momento com gosto amargo, porque ele sabia que poderia ter dado adeus ao campeonato ali.

Seus adversários também cometeram erros e, ao final, o equilibrio foi se mantendo. Um destaque que trouxe vida à competição foi a disputa com Gustavo Stock do surpreendente Fiat 147. O Maverick é mais rápido que o Fiat, mas em pelo menos dois enfrentamentos diretos, na pista os dois fizeram basicamente o mesmo tempo. A diferença na pilotagem foi determinante, como mostraram os números gerados pela cronometragem e Kroeff, ao final, lá no retorno, chega na orelha do Gustavo e diz:” 2 a 0 pra mim…” O Gustavo não ficou muito feliz – e não era para ficar mesmo – mas chegou à compreensão de que aquilo era o reconhecimento de que era um bom adversário. Esta é uma luta de David e Golias que ainda não acabou e promete novos rounds em 2011. Por enquanto o V8 está vencendo!

Outra disputa antiga, que vem lá de 2008, é entre o Gol de Fontes e o Maverick. Fontes é um bi-campeão, vencedor do TOP 16 em 402 e 201m e não precisa mais apresentação que isso. Já havia vencido o Maverick em duas oportunidades nas finais, e novamente estavam frente a frente nas eliminatórias da última etapa do ano. Nenhum dos dois queria perder e eu posso garantir que se fez silêncio ali na pista quando os carros se lançaram para a marca dos 201 em Tarumã. Nem o pessoal do Fontes e nem o do Kroeff piaram enquanto a sinaleira não piscou mostrando a pista vencedora. E no fim deu o V8. Como se diz na terminologia esportiva, essa “mochila” Alexandre tirou das costas. E lá embaixo, na espera do retorno, falou pro Fontes, “tá 2 a 1 agora”. Todos conhecemos o Fontes e ele não vai deixar barato.

Foi o maior campeonato e com um novo vencedor. Podemos dizer que de uma escola um pouco diferente da que predominou até aqui. Mas em comum a outros campeões, tem as noites de trabalho e dedicação, a presença constante na pista e a ajuda dos amigos para que as coisas possam acontecer. É um novo nome que vem se somar a (por enquanto) pequena lista dos que vieram para vencer na AD.

A história é contada através da visão dos vitoriosos.

Parabéns Alexandre Kroeff, o novo Campeão da Associação Desafio.


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