A cada dia de corrida acontecem coisas que só a paixão pelo esporte pode explicar. Não é pelo dinheiro, pois não é um esporte profissional. Não é pelo reconhecimento, pois são fatos que acabam por passar despercebidos pela maioria das pessoas.
Por isso, resolvi contar aqui estes pequenos “dramas”, que sempre fazem parte de um dia de corridas
André Pinzon, até então líder do campeonato e com atuação destacada em busca da vitória do campeonato da AD, não pode competir neste sábado. Um problema grave no Fusca vinho, que é um dos carros mais admirados da AD, uma semana antes, fez com que Pinzon buscasse outro carro para participar e pontuar bem.
Com a primeira parte da empreitada resolvida, carro na mão, partiram para melhorias e trabalharam durante a semana para acertar o turbo e deixá-lo andando melhor. Vencida mais esta etapa da “missão”, estava tudo certo para sábado… estava?
O dono levou o carro para guardar em casa, e teve o que os americanos chamam de “falha catastrófica” no caminho!
Pinzon ficou a pé de novo… Melhor sorte na próxima e o nosso conselho é que poderia ter vindo com a “super” Brasilia, mesmo. Daria para salvar pontos valiosos.
Outro que não poderia correr era o Leandro “Toco”, figura muito popular hoje com seu Gol Turbo nitro. Era o padrinho de um casamento, compromisso marcado há muito, e do qual não poderia escapar por motivos que todos podemos compreender sem maiores explicações. Mas Toco deu um jeito, esticou seu tempo no Velopark e conseguiu fazer uma boa pontuação para o campeonato. Só ficou fora do TOP 16 – mesmo classificado – mas estaráde volta no próximo com sua tradicional determinação.
Já no Velopark, encontramos o Thales Oliveira que estava com o cabeçote rachado em seu Voyage. Olha daqui, pensa dali e, “acha” o gol do irmão dando sopa!
Daí foi um passo para instalar um kit nitro, contar com a ajuda dos amigos para buscar uma garrafa em Porto Alegre e ir para pista fazer tempos que não acreditava possíveis. E se manter bem no campeonato.
Outro, que teve um sábado com emoções em forma de montanha russa, foi o Tuio e seu Passat. Depois da última quebra, este parecia um dia tranquilo. Parecia. O carro foi para pista e soltou o volante! Esta é uma falha catastrófica mesmo!
Mas a equipe mostrou a “garra” gaúcha. Enquanto desmanchavam o Passat outra vez, lá vai Tuio pra estrada para comprar as peças em Canoas, ou onde pudesse encontrar, e ainda voltar a tempo. Conseguiu, colocou o carro no Top 16, mas não era o dia…
Por fim, talvez a história mais significativa.
Jean Carlo Peluso deveria ser pai pela primeira vez antes da corrida. Mas, em uma negociação com a esposa, o médico e, acho que consigo mesmo, adiou tudo para segunda feira. E lá estava o Maverick dourado mais uma vez, acelerando, fazendo o chão tremer e trazendo os ecos da história que começou tudo isso na América do Norte.
Quando um amigo seu vier lhe dizer que não pode correr porque “ainda não acertou bem o carro”, ou que “tal peça ainda não está pronta”, pense no que acabei de contar, dê um pequeno sorriso e diga : “ahã…”
Marco Queiroz