Categoria ‘Especial’

Chicon – o campeão

2 de February de 2012

Fabrício Chicon foi o campeão do quinto campeonato da AD.

No ano mais “rápido” da AD, o piloto da equipe 1PR Schultz foi o mais constante durante a temporada. Venceu por uma margem pequena, como deve ser em um campeonato disputado.

Na última etapa, disputava lado a lado com Bráulio (Fusca Turbo) e Igor Drawanz (Dodge V8), e levou o título graças a vitória na 7,5s.

As modificações aprontadas no Tubarão para a última etapa se mostraram muito eficientes, o auto foi rápido e constante durante todo o dia. O momento mais marcante foi quando cravou um 7,0 contra o Eclipse dos irmãos Andreis nas quartas do TOP16, eliminando o oponente.

Fabrício tem 34 anos e é sócio proprietário da empresa Free Networks, que oferece soluções em Telecom.

Adquiriu o Chevette em 2010. O carro já era turbo, com diferencial Dana 44 e uma boa aparência. A primeira providência foi desmontar a mecânica para uma revisão.

Na época, levaram o carro no dino. Marcou 250cv na roda, utilizando 2,5kg de pressão, com o escapamento completo e o cabeçote original.

Depois disto Fabrício e a equipe começaram a trabalhar para transformar o Chevette azul em um carro de ponta.

Primeiro os itens de segurança – gaiola de proteção, banco concha, cinto de quatro pontas, linha de combustível com mangueiras Aeroquip e conexões FTX.

Fabrício conta que toda preparação é feita pelo pessoal da 1PR Schultz Motorsports, e a decisão do que, como e quando vai ser feito é tomada em equipe, baseada no tempo e na verba disponível.

Fabrício recebendo premiação por vitória no TOP16 da ND9

Para quem tem dúvida, Fabrício não guarda nenhum segredo sobre o que básicamente é a preparação do motor do Chevette – bloco original com pistões maiores que elevam a cilindrada para aproximadamente 1700cc, pistão e biela forjados, turbina Holset HX40, injeção FuelTech, oito bicos injetores, cabeçote de Chevette 1.4 preparado pela 1PR e Pestana Racing, bomba e dosador de combustível ProComp, watercooler, câmbio de Dodge 4 marchas e diferencial Dana 44.

O carro roda com uma mistura de metanol e gasolina pódium, e nesta configuração rendeu bons 360cv na roda, no dino da Power Up.

Fabrício sempre acelerou com pneus de competição, da marca Hoosier. Mas o seu carro brilhou mesmo na última etapa de 2011, com a instalação do câmbio de Dodge. Antes disto, Fabrício já havia quebrado oito caixas originais de Chevette.

Fabrício acelerando contra o Chevette de Ely Miranda, que tem motor de Calibra turbo

Com o carro cada vez mais rápido, é natural que ele fique um pouco mais arisco, mas a habilidade vem crescendo de acordo com a performance do carro, com o tempo e a prática. A última ND, com a pista limpa, quente e bem tratada, foi o conjunto perfeito para levar o auto para o tempo de 7,0s nos 201m de Tarumã.

Na lista de todos que ajudaram a construir o Chevette, Fabrício coloca sua mulher no topo: “…por ajudar com a verba e o tempo necessários para a montagem do Chevette.”

Em seguida, a sua equipe, para ele a família 1PR Schultz, em especial o Paulinho e o Leandro, pois sem eles nada disto seria possível.

E ele não esquece de seu sócio, Giovani Cusinato, que o apoiou mesmo tendo de passar alguns momentos longe da empresa durante a temporada.

Diferença entre o Chevette em 2010, na ND5 e em 2011, na ND8

Para ganhar o campeonato da Associação Desafio, não basta para um carro ser rápido, ele precisa ser consistente. Não pode quebrar ou apresentar muitas perfomances ruins e apenas algumas boas.

O piloto tem que ser igualmente consistente. Não adianta um equipamento de ponta se o piloto queima uma arrancada. Uma simples queima tira pontos que são importantíssimos na soma final.

Por isto, o campeão do campeonato da AD não é apenas mais um piloto e seu carro, é o piloto e o carro mais consistente, o conjunto mais forte e constante entre centenas de outros que participaram das provas durante o ano.

O campeão de 2010, foi Alexandre Kroeff (Maverick V8), e ele passa o título para a equipe 1PR, com certeza a equipe mais reconhecida das ND em Tarumã.

Parabéns Fabrício Chicon, parabéns 1PR!

Reconhecimento de um esporte

30 de November de 2011

Estamos chegando ao final do ano, a última ND da temporada já foi realizada, e após as 12 horas o autódromo de Tarumã (que foi a casa da AD nos últimos dois anos) vai ter o seu tradicional recesso para as festas.

Antes de divulgarmos mais detalhes da competição que aconteceu no último domingo, antes de somarmos os pontos do quinto campeonato realizado pela AD, vamos observar o que de melhor se conquistou nesta temporada: o nosso próprio reconhecimento que arrancada é um esporte.

Um esporte a motor, extremamente competitivo.

Os “cabeças” que hoje em dia figuram nas finais, deixaram de ser amadores de final de semana, que tinham a arrancada apenas como um hobby. Hoje, basta conferir os autos que alinham nas finais, que reconhecemos pessoas que trabalham para vencer e tem a competição como centro de sua vida.

Não, ninguém é profissional, ninguém está recebendo um salário para acelerar. Continuam todos amadores, buscando seus sonhos e tentando fazer o melhor possível, etapa após etapa, para quem sabe, em determinado momento ter a chance de fazer tudo certo e vencer uma legitima competição de arrancada.

Ariano Ávila, seu irmão, equipe e família - de Pelotas

A preparação da pista, a equipe do autódromo, a cronometragem, os competidores – após 9 etapas, todos tem a ciência plena que a disputa é séria e não se pode mais falhar em momentos decisivos.

Equipe que coloca o som no autódromo - sem eles não haveria locução

Abrir o portão do autódromo as sete horas de um domingo pode parecer cedo aos olhos de um desavisado, porém é tarde para as pessoas que já estão lá desde a sexta-feira.

Os competidores, que antes vinham da região metropolitana apenas, agora vem de diversos pontos do estado, inclusive de outros estados – e não querem apenas participar, querem figurar entre os melhores.

Evandro, compete com o Besouro onde pode - na terra ou no asfalto. Vem de Araranguá, SC

Jonatas, mais de 400 km desde Aceguá. Conheceu a reta de Tarumã com seu Passat Pointer Turbo

A qualidade dos carros e a queda em massa nos tempos, apontam que não foi uma pessoa apenas que quis progredir, foi um grupo, e este grupo é naturalmente competitivo (e não existe esporte sem competição).

O reconhecimento de que competição é natural e não é briga, foi um dos principais obstaculos que grande parte dos competidores soube ultrapassar, se colocando acima de picuinhas, mirando resultados práticos.

Sílvio Tesch (dentro do Fusca) e Bráulio (também piloto de Fusca) - competidores de oficinas diferentes, mas não inimigos

A liberdade de criação trouxe consigo inúmeras apostas, e a desmistificação da preparação única agregou novos competidores que se confrontaram com “velhas raposas”, que começaram a dar as caras novamente no autódromo. No último TOP do ano:

- AP aspirado
- AP turbo
- GM 6 cilindros aspirado
- Mitsubishi turbo
- VW Boxer Turbo
- Fiat Turbo
- Audi 5 cilindros Turbo
- Chevette 4 cilindros turbo

Poderíamos ver aí outros modelos, que a infelicidade da quebra fez questão de tira-los da competição. Mas além dos motores, podemos citar também que os carros tinham motor na frente, motor atrás, tração nas quatro, tração na frente, tração atrás, pneus M/T, pneus Hoosier, pneus Black, pneus N/A, pneus Goodyear….e por aí vai.

Ninguém estava aliviando o pé, ninguém estava com lastro – todos estavam no “tudo que dá” o tempo todo.

Audi RS2 - trem tração nas quatro

Somamos a isto a proximidade do público – não existem áreas vips, não existe um público melhor e um pior, todos podem ir nos boxes, todos podem ir para a arquibancada ou ao alambrado, todos podem ver de perto motores de 500cv derretar 10 polegadas de borracha no chão como se fosse manteiga.

Público muito variado acompanhando o rolo antes do alinhamento

Igor Drawanz e o Dodge estrela de TV, divertiu a criançada com seu Hot Wheels de gente grande

Para os competidores, chegar cedo ao autódromo, ter uma equipe, levar um mecânico, conferir a pista, verificar os adversários, ter um alinhador – isto tudo passou a ser natural para aqueles que cogitam vencer.

O desenvolvimento abriu a possibilidade da criação do Super 8, um antigo sonho, que hoje é viável graças a quantidade de competidores que querem efetivamente disputar e vencer.

A política de portas abertas do campeonato, oferecendo a mesma estrutura para o carro mais rápido até o mais lento, oferece a oportunidade aos pilotos novatos experimentarem a competição dentro da pista.

A chande do proprietário do carro de rua “envenenado” acelerar com força e sem medo, com a mesma cola, a mesma fila, a mesma inscrição, a mesma pista, o mesmo respeito dos carros mais rápidos e participar do campeonato, é a essência da diversidade do evento.

Se você, como um entusiasta, for em uma ND hoje, vai se deparar com carros empinando, carros passando a mais de 180km/h no final dos 201m, tempos de 60 pés na casa dos 1,5s. E estes são exemplos, no plural, são vários competidores.

Tarumã, que sempre foi uma pista querida no coração dos gaúchos, mantém a mesma dificuldade do traçado na reta – subida, descida, asfalto, inclinação de curva – mas é ali que estão se formando os melhores esportistas da arrancada no estado, aqueles que estão unindo a técnica, a criatividade e a competição.

A AD gostaria de agradecer todos os pilotos, preparadores, equipes, amigos, entusiastas que fizeram do ano de 2011 o ano mais “racing” da AD.

A equipe da cronometragem da Produpark – agradecemos o trabalho realizado, inúmeras horas de acelera, tempos, atendimento e correria na pista possibilitaram a competição acontecer.

Pilotos e equipes conferindo o "time-slip" oferecido pela cronometragem da Produpark

E toda a equipe do autódromo de Tarumã, que mantém um autódromo que é o templo do automobilismo no RS sem mágicas, mas sim com trabalho.

De cima da ponte ele diz se arranca ou não - mais um trabalhando para que a competição aconteça

Valeu todo mundo!


Apoiadores